Como guardar corretamente a biojoia

Galho de árvore, copo de vidro e cabide aumentam a vida útil das peças

Biojoia.
Foto: Oda Paula Fernandes

Usar bijuterias feitas com material orgânico é ecológico e as peças custam bem menos que as convencionais. O que pouca gente sabe é que este tipo de adereço exige cuidados especiais. Se expostas à umidade, por exemplo, as biojoias podem ser contaminadas por fungos e provocar reações alérgicas e até doenças de pele. Para evitar qualquer problema, a design de biojoias, Adriane Adratt, ensina dicas bem simples de como conservar as peças artesanais por mais tempo.

Galho de árvore com base de argila serve de suporte para guardar biojoia.
Foto: Oda Paula Fernandes

Pendurar colares e pulseiras em cabides é um exemplo de como as peças podem ser mantidas longe da luz, mas sem acumular umidade. Peças menores podem ser guardadas em potes de vidro. O fundamental é que os potes tenham a boca larga e jamais sejam tampados. “Use galhos sem folhas, ou copo de vidro e pendure tudo: brinco, colar, anel, pulseiras, tudo que é feito de matéria orgânica”, afirma Adratt. “Porta jóia é fechado, escuro e tem veludo. Não foi feito para guardar bijuterias ou biojoias”, completa Adratt.

Para a funcionária pública Ana Maria Ribeiro, 45, as peças são delicadas e precisam ser guardadas com muito cuidado, para evitar problemas de saúde. ela diz ainda que depois da primeira compra, todas as biojoias são guardadas de acordo como a recomendação na etiqueta. “O primeiro colar que usei era de folha com tecido e logo depois as folhas ficaram com um pó escuro. Passei um pano úmido, sequei e usei a peça novamente. Não demorou cinco horas e minha pele estava irritada, vermelha e coçava muito, exatamente por onde passava o colar”, lembra.

Sacola de papel confeccionada por adolescentes de ONG.
Foto: Oda Paula Fernandes

No início em 2006, a design produzia e vendia as próprias peças. A partir de 2007 ela passou a se dedicar apenas ao desenho das coleções e terceirizou a produção por meio de parcerias com associações e ONGs que também revendem a mercadoria. Mas a busca por alternativas sustentáveis não param e Adriane desenvolveu um modelo de sacola, feita de papel de revista. Elas são costuradas por adolescentes com Síndrome de Down e usadas, principalmente para embrulhar a produção.  “Tudo se aproveita, nada se perde”, diz Adratt. A design lembra que a biojoia gera empregos, enfeita quem usa e ainda preserva o meio ambiente, pois cada material é reutilizado de modo saudável. Por isso ela se preocupa em manter as peças bem guardadas.

Interação com cosméticos

Optar pela biojoia também exige cuidados na hora de a pessoa usar um perfume ou passar creme hidratante. O simples contato da peça com a pele já provoca uma reação natural, por causa do suor. Como os cremes são à base de água ou de óleo eles podem criar o ambiente ideal para o desenvolvimento de fungos, segundo a designer. Por isso ela reforça que é fundamental manter em ambiente aberto, bem arejado. “Por mais que beneficie ela é uma matéria prima natural”, ressalta.

A matéria-prima de quem produz biojoia é variada e, muitas vezes, frágil. Vai da casca de árvores e frutas a sementes, folhas, coco, rolinhos de papel, retalhos de tecidos, peças industrializadas misturadas com sementes, caixa de papelão, cadarço. Embora sejam de formatos variados, as sementes do cerrado não são apropriadas para este tipo de trabalho. Elas são oleosas demais.

Segundo a designer, as sementes oleosas não desidratam e quando são perfuradas acabam se tornando abrigo de fungos e do bicho da broca. As sementes que ela usa, em geral vêm da floresta amazônica e da mata atlântica. Mas o cerrado contribui. Daqui são retiradas principalmente folhas e cascas de árvores que têm formatos únicos e dão mais originalidade às peças.

SlideShow de fotos de Biojóias.

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