Capacitação é fundamental para manter empresa de artesanato

Artesão que quer investir no negócio próprio precisa aprender administrar para garantir sucesso nas vendas

por André Ribeiro, Oda Paula Fernandes e Victor Monteiro

Investir dinheiro e tempo na empresa de artesanato sustentável dos sonhos sem antes fazer uma pesquisa de mercado, aumenta os riscos de falência.  Para administrar uma empresa nesse ramo é preciso buscar ajuda especializada, tanto para aprender novas técnicas de aprimoramento dos trabalhos a serem realizados, quanto para avaliar qual a matéria prima mais indicada, qual o fornecedor que melhor atende à demanda e ainda, para quem vender as peças confeccionadas no ateliê. Essa capacitação pode demorar meses, tempo suficiente para artesão ter certeza que está preparado para trabalhar com artigos sustentáveis e que é o momento certo de abrir o próprio negócio.

A gerente de Unidade Coletivo de Atendimento do Sebrae-DF (UCA-DF), Auxiliadora França, diz que a capacitação do artesão é fundamental para manter o negócio em funcionamento e gerando lucro para o investidor. E como primeiro passo, antes de abrir o negócio, é importante investir no Plano de Negócios. “O plano te ajuda a responder [se] vale a pena abrir, ou vale a pena manter, ou vale a pena ampliar. A gente indica por que é o momento de você pensar na sua ideia e conhecer bem o seu negócio”, afirma.

Segundo Auxiliadora, abrir e administrar o próprio negócio no setor sustentável é uma tarefa difícil, até mesmo para quem é formado em administração de empresas. Mas os problemas estão mais presentes nas empresas em que o gestor não tem capacitação direcionada ao negócio que escolheu. Pensando nisso o Sebrae criou um produto voltado para esse público. É o “Programa Próprio”, que capacita micro empreendedores do ramo de artesanatos sustentáveis. “Grande parte dos artesãos tem pouca maturidade empreendedora. O artesão tem dificuldade de enxergar o artesanato como um empreendimento, como um negócio”, afirma.

Capacitação

O Programa Próprio do Sebrae foi desenvolvido para atender às necessidades do artesão, dividido em cinco módulos, onde o empreendedor pensa no empreendimento aos poucos, por etapas. A primeira etapa do programa é chamada “Portas Abertas”, específica para ensinar o artesão a coletar os materiais que vai usar na confecção de cada peça, como escolher as sementes, a madeira, o papel.

Depois de aprender sobre a coleta e armazenamento da matéria-prima passa para a fase “Despertando o Empresário”. Aqui nessa fase são desenvolvidas as características de um empreendedor – o que precisa ter para alcançar o sucesso e manter a longevidade do negócio.

Em seguida o artesão passa por uma fase chamada “Coleta de Informações”, que para a gerente do programa, é a parte mais importante. “É ir a campo. Sair perguntando. Entender o que meu cliente compra, o que ele quer comprar, meu produto é bom ou não, meu produto é viável ou não, entender o fornecedor, entender o mercado. Aí ele vai conhecer o negócio”, enfatiza a gerente de UCA-DF.

Após decidir e entender todas as atividades que envolvem a estrutura da empresa é hora de colocar no papel, fazer o “Plano de Negócio”. Com o plano em mãos, o empreendedor sabe exatamente quais sãos os pontos fracos da empresa e quais são os pontos fortes. “Aqui é onde ele pode errar, no mercado ele não pode. Esse erro geralmente é fatal para a empresa”, declara.

A quinta fase é o “Acompanhamento”, quando é analisada a viabilidade de implantar o negócio. Nesta fase, o artesão vai determinar onde abrir o ponto de venda, determinar como ele vai atrair os clientes e até mesmo reconhecer se é necessário fazer aquisição de empréstimo bancário.

Linha de crédito

O assistente sênior da Diretoria do Micro e Pequeno Empresários do Banco do Brasil (Dimpe), Esdras Magalhães, concorda que quando um empresário quer fazer empréstimos bancários para investir na empresa, o primeiro passo, depois de buscar capacitação, é não ter nenhum tipo de dívida em qualquer banco. Depois ele precisa mostrar para o banco o quanto ele tem na conta corrente, para assim o banco saber o quanto de crédito pode ser dado para o empresário.

Essa primeira regra é essencial para que o valor seja emprestado ao artesão empreendedor. Mas segundo Magalhães, isso é para o tipo de empréstimo rápido e baixo valor, até R$ 50 mil. Para o empresário, montar um negócio, além de passar por avaliação pessoal no Serasa, é preciso apresentar ao banco um projeto de negócio. Nesse projeto é imprescindível conter todas as informações do negócio quanto à viabilidade técnica de execução da empresa, com aval da consultoria especializada que acompanhou a montagem desse plano de negócio e assinatura de um economista, preferencialmente cadastrado na Ordem dos Economistas do Brasil (OEA).

Após o banco analisar dados relacionados ao empresário e ao negócio que ele pretende investir, e tendo verificado as condições do cliente, o banco concede uma linha de crédito, que é um acordo feito pelas duas partes. As empresas precisam de Capital de Giro, que faz parte do ciclo operacional de uma empresa. É dinheiro que o empresário vai usar para pagar fornecedores, compra de matéria-prima, entre outras coisas.

Para o banco determinar qual o valor que a empresa vai pagar como empréstimo, será avaliado o Capital de Giro dessa empresa. As taxas variam de cliente para cliente e depende das origens de recursos. Por isso é importante ter em mãos o Plano de Negócios na hora de solicitar um financiamento. Quanto mais a empresa crescer, mais linhas de crédito ele recebe para reinvestir no negócio e ampliar o campo de atuação, tanto para vendas quando para diversificação de produtos. Vale ressaltar que para cada tipo de negócio existe um plano de linha de crédito.

Negócio e sustentabilidade

O economista, artesão e design de móveis, Tunico Lages, trabalha com madeira recolhida nos arredores de Brasília e entorno do Distrito Federal. Após uma recessão econômica do Brasil na década de 1970, o economista resolveu deixar de trabalhar com investimentos na Bolsa de Valores para fazer móveis ergométricos a partir de galhos de árvores, todos descartados pela natureza.

Nesse período de chuvas, que tem muitos ventos e várias árvores caem. Ele percorre até 200 quilômetros em busca de madeira para armazenar e dar forma, transformando em chaise, cadeiras e bancos. A equipe do Tunico é composta por artesãos, escultores e marceneiros, que segundo ele, é quem faz a diferença na hora de definir que móvel um tronco vai ser. O olhar do profissional junto com a equipe, empresta características peculiares a cada produto. “Eu trabalho com o que a sociedade e a natureza rejeitam. Esses homens que estão comigo foram renegados, as madeiras que recolhemos foram descartadas. E é nesse contexto que cada peça ganha vida nas mãos habilidosas desses artistas”, enfatiza o designer de móveis.

Para o designer, que está preparando uma parceria onde o ateliê será representado em Los Angeles (EUA) trabalhar com esse tipo de artesanato é um presente da natureza para o homem. “Se cada um soubesse como aproveitar melhor o que a natureza descarta, a nossa vida ficaria mais bela, pois com um pouco de paciência é possível fazer obras incríveis”, acrescenta.

Vicente Rodrigues dos Santos, 56 anos, trabalha com artesanato sustentável desde que se mudou para o Distrito Federal na década de 1980. O agricultor veio com a família em busca de novas oportunidades quando fugia da seca na cidade de Crato, sertão cearense. Vicentinho, como é conhecido entre amigos e família, começou a trabalhar com o artesanato feito a partir de frutos, bago, sementes, galhos e folhas de plantas. Ofício que ele aprendeu com a mãe.

No primeiro ano que estava no DF, Vicentinho passou a usar materiais diferentes dos que usava no Ceará, quando usava cabaça e palha de milho para fazer as bonecas e bichos da caatinga brasileira. E ele diz que a adaptação foi difícil. “Eu não sabia que aqui não tem cabaça igual tem lá na minha terra. Foi muito ruim no começo, mas a gente se vira e aprende, ou aprende ou passa fome”, lembra. Agora, ele usa casca de coco, pedaços de madeiras recolhidas no Cerrado, corda de algodão. Mas a principal matéria-prima do artesão é a palha da bananeira.

O artesão lembra que decidiu buscar capacitação em 2001 para aprimorar os trabalhos e agregar valor aos produtos. Ao abrir o ateliê ele não sabia como cobrar por cada item, não tinha ideia de quanto gastava para manter a produção. Dono de um pequeno ateliê, em casa mesmo onde trabalha e vende as peças que também são exportadas para outros estados brasileiros, ele lembra a importância do incentivo e apoio que recebeu de profissionais e colegas. Agora, segundo ele, tem orgulho de dizer que é artesão, e nem pensa em trabalhar em cooperativa. “Tinha gente que achava que eu era um desocupado. Agora não, eu tenho meu negócio, sou meu patrão e sei como tenho que trabalhar”, comemora.  “Espero continuar fazendo o que gosto: trabalhar catando essas palhas e folhas para transformar isso em arte, e é arte bonita”, comemora o artesão.

Editora de site, Simone Oliveira, 25 anos diz que não deixaria a carreira para investir num negócio próprio no ramo de artesanato sustentável. Para ela, o custo-benefício não compensa, uma vez que o retorno do investimento não é garantido. “Não vale a pena investir, pois, o retorno financeiro não é imediato. Sem contar que, o que vou ganhar é menos do que o meu emprego atual me paga”, avalia.

Matéria de Rádio

Corpo de Bombeiros Militar do DF é um dos mais bem equipados do país

Um dos principais trabalhos da corporação é o combate às queimadas, que acontecem também no período chuvoso

 por André Ribbeiro, Oda Paula Fernandes e Victor Monteiro

Proteção Ambiental CBMDF

Passada a época de seca no Distrito Federal, a cidade ainda sofre com incêndios. A seca e a ação humana não são os únicos problemas dos bombeiros que trabalham no 4ª Grupamento, situado na Asa Norte. A especialidade destes profissionais é o combate a incêndios florestais. O Corpo de Bombeiros do DF é um dos mais bem equipados e organizados do Brasil. Perde somente para o de São Paulo.

Para o sargento Edinelson, a maioria dos incêndios é provocada pela ação humana. “Uma perigosa conseqüência deste tipo de ação é a possibilidade de alastramento das chamas, fazendo com que a intervenção do corpo de bombeiros seja necessária”, explica o sargento. Ainda de acordo com ele, o fogo que se alastra e alcança mais áreas do que o previsto pode ser caracterizado como incêndio criminoso. “Existem sim incêndios criminosos, mas a maioria acontece pela falta de informação dos moradores, principalmente em áreas rurais”, afirma. É que nestes locais, as pessoas costumam usar a queimada para limpar o terreno e prepara-lo para a plantação.

Até mesmo o período chuvoso pode contribuir para o surgimento de novos focos de incêndios. Chuvas, como as que aconteceram no início de novembro, geram raios que podem atingir árvores e dar início a grandes queimadas. Há duas semanas um incêndio de proporção assustadora consumiu cerca de seis quilômetros de mata, na extensão do Parque Nacional Águas Emendadas, DF. De acordo com o cabo Pierre, a causa pode ter sido combustão espontânea – provocada por raios. Cerca de cem homens do CBM trabalharam dia e noite no combate às chamas, que duraram uma semana. Está sendo feita uma perícia no parque para identificar as reais causas do incêndio.

No combate às queimadas, o Corpo de Bombeiros utiliza diversos equipamentos exclusivos ou adaptados para apagar as chamas. Os militares passam por intensivo treinamento, que oferece mais segurança ao profissional e também usam Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Os abafadores – feitos de cabo longo de madeira, lona e borracha pneumática – são usados para apagar focos e chamas menores, de até um metro de altura. As chamas maiores, mais altas, que oferecem risco ao bombeiro, exigem equipamento especial, como a mochila de água. Cada mochila armazena até vinte litros que são distribuídos de modo a simular a ação da chuva. Em casos extremos, como foi a do Parque, se faz necessário o uso de equipamentos como mangueiras e até o auxílio de aviões ou helicópteros que transportam água.

Além desses equipamentos outras ferramentas como facão, motosserra, cortador, rastelo, bomba d’água, picareta, enxada e macloud – ferramenta americana que imita um rastelo, onde de um lado é rastelo e de outro é enxada, são usados no combate ao fogo. Quando nenhum desses equipamentos é eficaz no combate às chamas, o comandante da operação decide quanto de área deve ser sacrificada para combater uma área específica do incêndio e evitar maiores perdas. Então usa-se a técnica que eles chamam de “fogo contra fogo”. “É uma técnica arriscada, mas entre perder tudo e perder parte, é melhor perder parte”, afirma o coronel do Corpo de Bombeiros de Proteção Ambiental, Albuquerque.

A técnica é aplicada da seguinte maneira: em um tanque de aço inoxidável se faz uma mistura de uma parte de gasolina para duas de óleo diesel. O combustível usado para provocar as chamas, fazendo com que não avancem. “Todos no batalhão sabem manusear esse equipamento. São treinados e preparados para combater o fogo com o próprio fogo, mas só usamos em último caso. Esse é um dos últimos recursos”, explica o coronel.

O Coronel Albuquerque afirma ainda que a Brigada de Incêndio do Brasil é uma das mais bem preparadas e eficientes do mundo. “Diferencia apenas dos norte-americanos que são mais ousados no sentido de fazerem salvamentos e combates mais arriscados, como entrar num prédio completamente em chamas para poder salvar quem estiver lá dentro”, conta Albuquerque.

Educação

O trabalho dos bombeiros da Brigada de Incêndios não se restringe aos campos e parques. A partir desta semana já foi dada a largada à campanha de conscientização para crianças e adolescentes das escolas da Rede Pública de Ensino do DF. A meta do corpo de bombeiros é atender todas as escolas do DF até a próxima temporada de seca de 2013. “Damos aulas e informações de como queimar pasto e áreas rurais. São aulas direcionadas para todo público interessado em manusear com mais segurança a técnica de queimadas para limpeza de lotes e terrenos em qualquer lugar do DF”, acrescenta.

Slideshow – Proteção Ambiental CBMDF

Horta doméstica é solução para quem quer plantar e tem pouco espaço

O cultivo de hortaliças, legumes e frutas dentro de casa enfeita a cozinha e ainda é um benefício à saúde por não ter substâncias químicas

por André Ribbeiro, Oda Paula Fernandes e Victor Monteiro

Falta de espaço para ter uma horta em casa, não é mais desculpa. Até mesmo em ambientes pequenos, como sacadas de apartamentos é possível cultivar boa parte das verduras e ervas consumidas em casa. As opções são várias e podem estar em boa parte do que é descartado pelas famílias, como recipientes “descartáveis”. Com um pouco de cuidado e dedicação, é possível plantar temperos, a maioria das hortaliças e ainda alguns legumes e frutas, como o tomate. Técnicos da Embrapa Hortaliças explicam que o processo é bem simples e dá pra começar a ter os primeiros resultados cerca de 60 dias após o plantio.

O crescente interesse das pessoas em consumir alimentos frescos e saudáveis incentiva cada vez mais o cultivo de hortas domésticas. E os cultivados em casa, além de econômicos, têm a vantagem de estar livres de agrotóxicos. Para este tipo de cultivo, técnicos não indicam o uso de qualquer produto químico, somente controle natural, o que já é um grande benefício à saúde.

Este tipo de prática pode trazer proveito em diversos outros aspectos. A supervisora da área de transferência em tecnologia da Embrapa, Flávia Clemente, explica que o cultivo de hortas em pequenos espaços, na grande maioria das vezes, se torna também um momento de terapia. “Seja um momento em família, um momento educativo para você ensinar crianças a cultivarem hortaliças, mostrar como são as hortaliças e também um momento de terapia, de relaxamento em que você mexe na terra, com a natureza”.

O técnico de plantio em pequenos espaços, Orébio Oliveira, explica que as folhosas são ideais para este tipo de cultivo. “Primeiro porque ela exige um volume menor de terra e o ciclo de produção é mais rápido. Já está pronta para consumo em torno de 60-70 dias”. Orébio esclarece também que outros tipos de plantio são possíveis, mas são um pouco mais difíceis. “Raízes como cenoura e beterraba exigem um volume maior de terra. Para isso será necessário um recipiente de maior profundidade”, explica. Importante lembrar que ao reutilizar alguns tipos de vasilhames que sejam completamente fechados, é necessário fazer furos para que a água possa escoar, evitando, assim, encharcar as raízes do que está plantado.

Recipientes ideais para o cultivo de hortas domésticas são garrafas pet, potes de sorvete, latas em geral, pneus velhos e até tubos de PVC. Não se recomenda o uso de caixas de leite, uma vez que estas são revestidas internamente por camadas de alumínio. Com o tempo, este material pode se misturar com o solo e acabar sendo absorvida pela planta, se tornando imprópria para consumo.

Existem técnicas para todo o processo de cultivo em pequenos espaços. O solo e o espaçamento entre as plantas, por exemplo, são adaptados para este sistema. Alguns princípios são básicos: é essencial que o ambiente onde a horta fique receba sol ao menos em um período do dia para que as plantas possam se desenvolver.

Morador da 313 norte, o bancário aposentado Ranilson Diniz, 67 anos, tem o hábito de cultivar hortaliças e plantar frutas como a uva e graviola. Antes, quando morava em casa, ele cultivava alimentos e plantas ornamentais. Quando se mudou para um apartamento, teve o espaço limitado para este tipo de prática. Recomeçou a plantar por acaso. Ele estava comendo uvas e descartou a semente em um jarro vazio. Algum tempo depois a semente germinou. Hoje seu Ranilson tem uma parreira na varanda. “As plantas também ajudam naquilo que é o meu hobby, que são pássaros”, diz, ao lembrar que as aves costumam pousar na parreira ao longo do dia.

Slide Show – Horta Doméstica

Matéria de Rádio

Barulho é poluição ambiental e faz mal à saúde

Poluição sonora não prejudica somente as pessoas, mas também os animais e o meio em que vivem

por André Ribbeiro, Oda Paula Fernandes e Victor Monteiro

Nem todos sabem, mas poluição sonora é considerada poluição ambiental. Para animais que vivem próximos a regiões urbanas muito barulhentas, os danos podem ser maiores que para os seres humanos. Os animais dependem da audição, por exemplo, para caçar e para se localizar. Por instinto, principalmente os silvestres, costumam evitar áreas barulhentas. Desta forma, com o crescimento cada vez maior e mais acelerado das cidades, esses animais tendem a desaparecer. Brasília é uma região onde ainda vivem muitas espécies silvestres. Em compensação, a cidade também é um canteiro de obras constante, com grandes prédios e projeções surgindo em maior número.

Esse tipo de poluição atinge também moradores de regiões urbanas das grandes cidades. Excesso de exposição ao barulho pode causar sérios danos à saúde, inclusive perturbação da saúde mental, envelhecimento precoce, insônia entre outros. E isso se torna cada vez mais comum. As pessoas vivem mais estressadas, apresentam doenças cada vez mais cedo. Tudo isso, em parte, reflexo da agitação e do barulho da vida urbana. Um risco à saúde pública.

No DF, o controle da poluição ambiental é responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente, por meio da Subsecretaria de Saúde Ambiental. O subsecretário Luiz Maranhão admite que o problema existe e atinge os animais silvestres. “Estamos transformando a convivência urbana em uma ilha de poluição. Temos diversas formas de poluição dentro da cidade”, afirma Maranhão. Ele diz que o governo planeja ações para combater o problema (veja abaixo).

A bióloga Luanna Ribeiro Silva, 26, concorda. “O primeiro ponto negativo em relação ao crescimento urbano em áreas onde existem animais silvestres é a diminuição do seu habitat, que influencia no comportamento das espécies, tais como, reprodução e alimentação.”Luanna explica ainda que o crescimento dos centros urbanos nestes padrões se torna um fator de risco, já que os animais ficam cada vez mais próximos dos humanos. “Um risco tanto para os animais quanto para a população”, afirma.

Com o excesso de barulho ou mesmo ruídos que não sejam comuns para os animais, os danos acontecem de diversas formas. Excesso de barulho pode alterar completamente o ciclo natural da vida desses animais. Ainda segundo Luanna, os morcegos, por exemplo, utilizam um sonar biológico como guia. “O barulho atrapalha a dinâmica natural desta espécie. Eles ficam desnorteados”, explica.

Outra consequência é a evasão destes bichos. O barulho pode fazer com que espécies se mudem para regiões onde tenham tranquilidade e alterem o equilíbrio do ecossistema. Os animais domésticos também sofrem. Os cães, por exemplo, são muito afetados, porque têm a audição muito aguçada, sensível. Pós-graduado em ciências biológicas, José Hyrlleson Cândido esclarece que para suportar a carga de som, os animais têm de se adaptar. “Os animais domésticos se habituam à rotina de seus donos, do mesmo modo que os donos se adaptam ao comportamento do animal.” O especialista completa dizendo que em cidades maiores, onde os animais são criados em ambientes cada vez menores, eles ficam suscetíveis a variações relacionadas ao estresse. Muitos acabam adoecendo.

Fiscalização

O vice-governador do DF, Tadeu Filippelli, publicou o decreto que regulamenta a Lei de poluição sonora, aprovada em 2008. A Lei Distrital nº 4.092/08, estabelece que é proibido perturbar o sossego e o bem-estar públicos pela emissão excessiva de sons e ruídos. Segundo informações doInstituto Brasília Ambiental (Ibram), 95% das reclamações registradas no órgão são referentes à poluição sonora. (o que é poluição sonora? Acima de quantos decibeis? Isso equivale a quê?)

O auditor fiscal doIbram, Bento Marçal, esclarece que os limites de decibéis são determinados e mudam para o dia (entre 7 e 22horas) e para a noite (das 22 às 7horas do dia seguinte) em áreas residenciais. No período da manhã, por exemplo, o índice é no máximo de 50 decibéis e cai para 45 no período noturno, o equivalente a uma conversa tranquila.

De acordo com a Subsecretaria de Saúde Ambiental, como a Lei reconhece a poluição sonora em diversos âmbitos, a fiscalização será feita de acordo com os órgãos responsáveis por cada área. Ruídos provocados por tráfego nas ruas e trânsito, por exemplo, serão fiscalizados e autuados pelo Departamento Trânsito (Detran). Ruídos provocados por bares, festas, carros de som, entre outros, serão fiscalizados e autuados pela Agência de Fiscalização (Agefis).

Na regulamentação da Lei 4.092, as infrações estão classificadas em leves, graves, muito graves e gravíssimas. Estão previstas punições aos infratores que vão desde uma simples advertência por escrito, multa, interdição parcial ou total do estabelecimento ou até a cassação do alvará de funcionamento, em caso de comércios. Vale ressaltar que o valor arrecadado com a aplicação de multas por infrações, será revertido ao Fundo Único de Meio Ambiente do DF.

Combate à poluição

Para integrar ainda mais as pessoas das medidas e determinações presentes nesta Lei, a Subsecretaria de Saúde Ambiental está desenvolvendo o que está sendo chamado de ‘terceira etapa do combate à poluição sonora’. A primeira etapa foi a Lei, a segunda o decreto e a terceira será um programa de educação ambiental, o ‘Soa Bem’. O programa será criado para explicar aos cidadãos quais os direitos da população e a partir de onde se deve respeitar o direito alheio. Esse projeto pode significar um avanço para Brasília, enquanto capital da República, e a questão ambiental.

Ruídos em excesso causados pela vizinhança também estão previstos na regulamentação da Lei. A moradora da quadra 513 da Asa Sul, Cilma Machado, 70 anos, reclama do barulho de vizinhança. “Que bom. Vizinho incomoda bastante também. Até uma e pouco da manhã fazem muito barulho. Qualquer coisa, telefono que eles vem em cima”, comemora a moradora.

Matéria de Rádio

A tecnologia e computadores em favor do Meio Ambiente

Desmatamento e degradação florestal na Amazônia será monitorada por computadores da Google

Google Earth Engine.
Foto: Divulgação google Images

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) passa a usar a tecnologia da Google, a Google Earth Engine. Em ambiente on line, as imagens do desmatamento e degradação florestal da Amazônia serão processadas e enviadas ao Imazon por meio do programa que foi batizado de SAD-EE. Essa nova plataforma vai disponibilizar imagens de satélite, edição de mapas digitais e validação do mapeamento que rodam as nuvens de computadores da Google.

O processamento de análise e divulgação dos dados será feito em menos tempo, considerando a antiga ferramenta que a Imazon utilizava, o SAD. A expectativa é que a agilidade na divulgação das informações seja de 50%. No futuro, esses dados serão divulgados em outros países, e ainda, será possível a detecção do desmatamento em áreas além das fronteiras da Amazônia em terras Brasileiras, com proporções global.

Entre agosto de 2010 e julho de 2011 uma redução de 36% do total de desmatamento foi detectada pelo Sistema de Alarme e Desmatamento. A área está calculada em 1.628 quilômetros quadrados. Mesmo com a redução, os índices são preocupantes. Segundo os dados divulgados pelo SAD em julho de 2012, o desmatamento na Amazônia Legal foi de 139,5 quilômetros quadrados. O que representa aumento de 50% em relação a julho do ano passado, quando a área desmatado foi 93,5 quilômetros quadrados. As áreas mais atingidas pela ação do homem foram próximas a rodovia Cuiabá-Santarém, na BR-163, e regiões das Unidades de Conservação (UC), onde o tamanho foi alterado pelo governo.

Mapa Desmatamento Amazônia Legal – SAD julho de 2011
Fonte: Imazon

O estado do Pará que está no topo ranking de desmatamento e degradação florestal apresenta o índice de 83%, em relação ao total do Período. Em seguida aparece Mato Grosso com 10%. Nas Unidades de Conservação, a Floresta Nacional de Altamira-PA aparece o dado preocupante de 25 quilômetros quadrados desmatados e ocupa o topo do ranking das UCs. Criada em 2006 para conter o desmatamento no entorno da BR-163, a Flona de Jamanxin, que sofre com problemas fundiários, aparece em segundo lugar, com 11 quilômetros quadrados.

Todos os dados fornecidos pelo Imazon são medidos de forma independente e diferente da utilizada pelo governo, com dados do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Ambos tentam quantificar mensalmente a tendência de desmatamento.

Como guardar corretamente a biojoia

Galho de árvore, copo de vidro e cabide aumentam a vida útil das peças

Biojoia.
Foto: Oda Paula Fernandes

Usar bijuterias feitas com material orgânico é ecológico e as peças custam bem menos que as convencionais. O que pouca gente sabe é que este tipo de adereço exige cuidados especiais. Se expostas à umidade, por exemplo, as biojoias podem ser contaminadas por fungos e provocar reações alérgicas e até doenças de pele. Para evitar qualquer problema, a design de biojoias, Adriane Adratt, ensina dicas bem simples de como conservar as peças artesanais por mais tempo.

Galho de árvore com base de argila serve de suporte para guardar biojoia.
Foto: Oda Paula Fernandes

Pendurar colares e pulseiras em cabides é um exemplo de como as peças podem ser mantidas longe da luz, mas sem acumular umidade. Peças menores podem ser guardadas em potes de vidro. O fundamental é que os potes tenham a boca larga e jamais sejam tampados. “Use galhos sem folhas, ou copo de vidro e pendure tudo: brinco, colar, anel, pulseiras, tudo que é feito de matéria orgânica”, afirma Adratt. “Porta jóia é fechado, escuro e tem veludo. Não foi feito para guardar bijuterias ou biojoias”, completa Adratt.

Para a funcionária pública Ana Maria Ribeiro, 45, as peças são delicadas e precisam ser guardadas com muito cuidado, para evitar problemas de saúde. ela diz ainda que depois da primeira compra, todas as biojoias são guardadas de acordo como a recomendação na etiqueta. “O primeiro colar que usei era de folha com tecido e logo depois as folhas ficaram com um pó escuro. Passei um pano úmido, sequei e usei a peça novamente. Não demorou cinco horas e minha pele estava irritada, vermelha e coçava muito, exatamente por onde passava o colar”, lembra.

Sacola de papel confeccionada por adolescentes de ONG.
Foto: Oda Paula Fernandes

No início em 2006, a design produzia e vendia as próprias peças. A partir de 2007 ela passou a se dedicar apenas ao desenho das coleções e terceirizou a produção por meio de parcerias com associações e ONGs que também revendem a mercadoria. Mas a busca por alternativas sustentáveis não param e Adriane desenvolveu um modelo de sacola, feita de papel de revista. Elas são costuradas por adolescentes com Síndrome de Down e usadas, principalmente para embrulhar a produção.  “Tudo se aproveita, nada se perde”, diz Adratt. A design lembra que a biojoia gera empregos, enfeita quem usa e ainda preserva o meio ambiente, pois cada material é reutilizado de modo saudável. Por isso ela se preocupa em manter as peças bem guardadas.

Interação com cosméticos

Optar pela biojoia também exige cuidados na hora de a pessoa usar um perfume ou passar creme hidratante. O simples contato da peça com a pele já provoca uma reação natural, por causa do suor. Como os cremes são à base de água ou de óleo eles podem criar o ambiente ideal para o desenvolvimento de fungos, segundo a designer. Por isso ela reforça que é fundamental manter em ambiente aberto, bem arejado. “Por mais que beneficie ela é uma matéria prima natural”, ressalta.

A matéria-prima de quem produz biojoia é variada e, muitas vezes, frágil. Vai da casca de árvores e frutas a sementes, folhas, coco, rolinhos de papel, retalhos de tecidos, peças industrializadas misturadas com sementes, caixa de papelão, cadarço. Embora sejam de formatos variados, as sementes do cerrado não são apropriadas para este tipo de trabalho. Elas são oleosas demais.

Segundo a designer, as sementes oleosas não desidratam e quando são perfuradas acabam se tornando abrigo de fungos e do bicho da broca. As sementes que ela usa, em geral vêm da floresta amazônica e da mata atlântica. Mas o cerrado contribui. Daqui são retiradas principalmente folhas e cascas de árvores que têm formatos únicos e dão mais originalidade às peças.

SlideShow de fotos de Biojóias.

Bem-vindo à Comunecco, Eco Agência de Comunicação

Criada com o objetivo de inserir na mídia material jornalístico de qualidade sobre os mais diversos e interessantes temas sobre Meio Ambiente, a Comunecco – Agência de Comunicação, apresenta conteúdo sobre iniciativas a favor da preservação dos recursos naturais do nosso planeta, como a água. Inovações tecnológicas na área, o relacionamento da sociedade com o ecossistema. As dicas úteis serão abordados de forma pontual com matérias, links, imagens e vídeos.

Mostraremos também atitudes de pessoas que, com pequenos gestos de preocupação com o futuro do planeta e do homem, fazem a diferença onde vivem ou trabalham, tudo isso em vários formatos para as mídias.

Essa é a contribuição da Comunecco para incentivar a preservação da natureza.